Resumo
O Brasil possui uma ampla variedade de políticas legais para enfrentar a escravidão contemporânea. A principal delas, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) — amplamente reconhecido pela literatura especializada como uma política eficaz — está vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e, por isso, amparado majoritariamente pela Justiça do Trabalho. Embora os trabalhadores inseridos nesse contexto participem de atividades produtivas e de mercados de trabalho, o tema ainda é pouco analisado sob uma perspectiva econômica. Esta pesquisa busca contribuir para o desenvolvimento dessa agenda de estudo por meio da análise dos relatórios de fiscalização do GEFM, referentes aos anos de 2013 e 2023. Os resultados demonstram as características dos mercados envolvidos, incluindo jornadas exaustivas, informalidade e formas específicas e não convencionais de pagamento. A pesquisa reforça o entendimento da escravidão contemporânea como um mercado de trabalho estruturalmente violador e oferece base para comparações com outros segmentos do mercado de trabalho brasileiro.