Resumo
O artigo analisa o papel do Legislativo e do Executivo na formulação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), entre 1959 e 1961, questionando a interpretação tradicional que associa o desenvolvimentismo brasileiro exclusivamente ao Executivo e a burocracias técnicas insuladas. A partir da análise sistemática de fontes legislativas, demonstra-se que o Congresso Nacional atuou de forma ativa na construção da política, impondo limites à centralização proposta pelo Executivo e introduzindo mecanismos de controle, como a obrigatoriedade de aprovação legislativa do Plano Diretor e a vinculação de recursos a critérios previamente definidos. Além disso, os parlamentares influenciaram a alocação orçamentária, ampliando investimentos em setores como a agropecuária. O estudo conclui que o desenvolvimentismo deve ser compreendido como resultado de interações institucionais complexas, e não como produto exclusivo do Executivo, ressaltando a importância do Legislativo na formulação de políticas públicas no período.